Diogo Jerez, São Paulo

Todos os dias empreendedores são bombardeados com chamadas e editais para programas de aceleração. Muitos formulários para preencher, documentos para encaminhar e repetições constantes do mesmo pitches. Imagino que você já tenha passado por isso e chegou a pensar se de fato valia a pena despender tanto tempo nesses processos, né?

Há dois ano e meio eu atuo justamente do outro lado dessa jornada. Recebendo e analisando todas essas informações de milhares de empreendedores e empreendedoras para os mais diversos programas da Artemisia – organização pioneira na disseminação e fomento de negócios de impacto social, uma das principais aceleradoras do país.

Neste post tenho como objetivo te apoiar a avaliar todo esse investimento que você faz para conseguir entrar em um programa de aceleração, por meio de 5 dicas para você levar em conta.

1. Tenha plena consciência do estágio seu negócio

Não é incomum que eu entreviste empreendedores ou receba inscrições onde percebo que as lideranças da empresa não tem conhecimento profundo sobre o estágio em que a empresa se encontra. Quando isso ocorre, pode ser que o empreendedor participe de programas que não tenham tanto a acrescentar para os desafios atuais que o negócio enfrenta. 

Muitos empreendedores simplificam os desafios que vem pela frente e superestimam o estágio de desenvolvimento dos seus negócios – em frases como “agora é só colocar o dinheiro em vendas e marketing e escalar”. Isso é recebido como pouco conhecimento do seu negócio e/ou falta de transparência. Minha dica aqui é RESPIRE. Entendemos que os negócios estão em estágios iniciais e você deve aceitar esse fato também. Veja aqui um quadro que detalha os estágios de negócio em mais detalhe, para te ajudar com as conversas que vem a seguir. 

2. Carimbos são importantes, mas não farão seu negócio ter sucesso.

Não tenho dúvidas que programas de incubação e aceleração podem abrir muitas portas, mas não exagere. Mais do que o selo, entenda onde o programa pode agregar para o seu negócio. Mesmo em um programa gratuito, o seu tempo é uma contrapartida – e para um novo negócio isso pode representar muita coisa. Quem faz uma boa startup é o time de empreendedoras e empreendedores. Programas são apenas catalisadores desse processo. Tenha isso em mente.

Não é incomum vermos empreendedores pulando de um programa para o outro. No entanto, quando analiso os indicadores do negócio, a empresa parece não avançar. Às vezes a startup passa por tantos programas que nos dá a impressão de que estão bem e os empreendedores acabam até virando referência, quando na realidade a startup não possui uma história robusta e sustentada em resultados operacionais para contar.

3. Se for para participar, se jogue de verdade. Aceite repensar sua empresa e cobre a aceleradora para que isso aconteça.

Bons programas de aceleração são aqueles que tiram empreendedores da zona de conforto, e não apenas massageiam o ego dos fundadores. E posso falar com certa experiência, que muitos empreendedores normalmente buscam programas que vão oferecer exposição e a empresa fica em segundo plano. Aceite ser questionado, por mais que incomode. Será melhor para o futuro do negócio. Você não precisa (e não deve!) concordar com tudo, mas esteja aberto para algumas cutucadas aqui e ali. Não é porque você foi selecionado para o programa, que você é perfeito. Afinal, ninguém é.

Não é raro conversar com empreendedores em processos de seleção na Artemisia que reclamam de acelerações anteriores feitas em outras organizações. Por mais contraintuitivo que pareça, vejo em alguns desses casos, empreendedores passivos. Esperam pelo pacote básico de apoio oferecido e depois terminam o programa com a sensação de que não foi bom o suficiente ao invés de buscarem mais dentro do programa. Se for para participar de um programa de aceleração, empreenda sua startup e também o seu programa. Quanto mais a empresa solicita de uma aceleradora, maior será seu retorno.

4. Não espere que as aceleradoras salvem a sua startup

Como o próprio nome sinaliza, aceleradoras terão o papel de aumentar a velocidade de certas áreas do negócio – cada aceleradora acaba agregando mais ou menos em cada uma das áreas da empresa. No entanto, não vão empreender o seu negócio junto a você. Afinal, o empreendedor ou a empreendedora é você.

5. Pense bem nas contrapartidas exigidas

Muitas aceleradoras pedem participação na empresa como contrapartida para a seus programas. Até aí, tudo bem. O perigo está no que isso significa para seu negócio. O valor que a aceleradora aportará – seja financeiro, em conexões, em apoio com time ou mentorias – é tão significativo quanto a porcentagem da sua empresa que estão querendo?

Já vi muitos programas por aí que acabavam sendo um suicídio para a empresa. A aceleradora pegava uma alta porcentagem do negócio, por um capital semente extremamente baixo. Após o programa, a empresa até conseguiu um investimento anjo, mas quando precisou bater nas portas de fundos de Venture Capital, os fundadores estavam tão diluídos que os investidores decidiram não seguir com o aporte.

Sempre que for negociar alguma parte da sua empresa, tenha uma visão de longo prazo, considerando as próximas rodadas de investimento. Não estou falando para ser utópico e achar que o negócio que está em estágio inicial já vale dezenas de milhões de reais, mas entenda as consequências de cada contrapartida envolvida em programas. Particularmente, compartilho da visão da Artemisia para esse ponto. Entendo que equity pode ser uma contrapartida viável para o estágio inicial, uma vez que não há fluxo de caixa suficiente para pagar por um apoio muitas vezes. Existem uma série de programas equity free, com e sem aporte financeiro. 

 

O objetivo deste post não é desencorajar a participação em programas de aceleração. Afinal, se não acreditasse na sua importância, não trabalharia em uma aceleradora. Um programa de aceleração (como tudo na vida) só faz sentido se você tiver plena consciência do seu momento atual e assumir uma postura ativa – abrindo-se para críticas, pescando oportunidades e até mesmo provocando a própria aceleradora. Nesses casos, os benefícios da participação são ainda mais intensos.

Caso ainda não conheça muitas aceleradoras, aqui mesmo na Impacto você consegue ter acesso a uma lista bem completa de aceleradoras, com ênfase nos processos que focam em negócios de impacto social, como a Artemisia. Basta clicar aqui para acessar.