Pode me chamar de louca. Tive a coragem de deixar o emprego dos meus sonhos e me mudei para um país completamente desconhecido. Picada pelo mosquitinho do empreendedorismo, cansei de ouvir e quis viver na pele o dia a dia da tal Startup Nation. Não parei nem um segundo. Conversei com dezenas de empreendedores, fiz vários bicos e tentei me envolver em várias iniciativas que existiam por aqui, mas nada fez o meu coração bater mais forte. Até que um empreendedor me perguntou “Está esperando o quê? Por que você não para com essa brincadeira e abre logo um negócio!?”.

No Brasil, a gente não acha que consegue. Não há estímulo algum para isso. Não existe ferramenta que nos prepare para essa aventura, nem mesmo nas melhores escolas de negócios. NADA. Mesmo trabalhando no meio de empreendedorismo há alguns anos, achava que empreender era um salto muito maior que as minhas pernas poderiam dar. Precisei de um militar israelense, para me mostrar, por A mais B, que se eu quisesse fazer algo diferente, eu efetivamente teria que criar alguma coisa minha. E que tudo bem. Vai dar medo, mas vamos com medo mesmo.

Por sorte, aqui encontrei outro louco, tão corajoso e curioso quanto eu, que também deixarou uma proposta de sociedade na mesa para perseguir um propósito maior. A química foi imediata. Sentimos as dores do crescimento de deixar uma empresa que era praticamente nossa e perseguir o incerto. Nesse momento eu agradeci o tal do “ecossistema de empreendedorismo” que tanto ouvia falar. Todos aqui respiram esse ar e muito menos pessoas te olham com cara de preocupação quando você convida alguém para abrir um negócio com você. Aqui, empreender é normal. Quando deixa de ser encarado como um bicho de sete cabeças aos olhos dos outros, você também fica mais seguro do caminho que está traçando. E que diferença que isso faz. Finalmente vimos que empreender era para a gente também. SIM. E de coração aberto, nos jogamos nessa.

— Já ta ai?

— Já, mas não sei se vamos poder ficar. Gabi, sobe rápido que pelo menos um rango de graça a gente pega!

— Beleza, Alê, segura aí que eu tô indo!

E enquanto a gente comia húmus escondido nos fundos Google Campus, tentávamos decidir de onde que a gente iria trabalhar. Comprovamos que empreender não tem luxo algum. Que ter a sua rotina, sem chefe, é muito mais difícil que acordar cedo e ir trabalhar. E que mais difícil ainda, é não cumprir um prazo que você colocou para si mesmo.

Além disso, empreender fora de casa tem sido um desafio. Diariamente enfrentamos barreiras de idioma e choques culturais. Aqui, até a semana é diferente: começa no domingo e acaba na quinta. Mas a cada perrengue percebemos o valor de ser brasileiro. Somos gente boa. Um povo multicultural, diverso, flexível e cativante. E o mais importante, vivemos em meio a sérios problemas socioeconômicos que nos obrigam a ter um jogo de cintura diferenciado. Basta apenas entender que cabe a nós solucionar essas questões. A gente tem oportunidades de negócio que Israel ou o Vale do Silício nunca vão conseguir contemplar. Nós dois entendemos que se não fizéssemos nada, iríamos continuar olhando nos olhos desse Brasil instável e desigual.

Por isso, empreendemos e damos toda a força necessária para você também seguir este caminho. Ainda estamos vendo como criar a nossa própria rotina, mas está dando certo, crescendo e ficando cada dia melhor. Quanto mais escrevemos e compartilhamos a nossa jornada, mais vivemos o nosso propósito real: munir empreendedores, batalhadores, com ferramentas que nós mesmos testamos e vimos funcionar. Ter um negócio próprio não é fácil, mas é o melhor jeito de conquistar a sua independência. Mudar a sua realidade é mudar o mundo, porque o mundo é feito de gente. E gente é tudo.

Por aqui, não tem lero lero. Cansamos de lendas urbanas e receitas mágicas que não batem com a dura realidade que é  empreender no Brasil. A cada semana, entregaremos novos conteúdos que irão te inspirar, mas que também irão te mostrar o caminho das pedras da forma mais prática possível. Não sabemos tudo, mas vamos aprendendo juntos. A Impacto vive para você ser protagonista da própria vida e desse Brasilzão que temos em nossas mãos.

Vamos juntos?