Mariana Camardelli, São Paulo

Cada compra que fazemos ajuda a sustentar determinados mercados, serviços e pessoas em detrimento de outros. O tempo da nossa vida dedicado ao trabalho também é um ótimo exemplo do quanto podemos, sim, direcionar nossos esforços para mudar realidades.

Você dedica oito horas do seu dia para construir mais desigualdade?

Para trabalhar em algo que vai beneficiar ou prejudicar as pessoas? Todos somos, em alguma medida, investidores. Do nosso tempo, do nosso dinheiro, da nossa energia. Em que você tem investido ultimamente?

“Quando os seus talentos encontram as necessidades do mundo, ali está a sua vocação”, foi o que disse Aristóteles. Empreender, conectar pessoas, desenhar experiências, produzir eventos, ajudar o mundo a ser um lugar um pouquinho melhor através de investimentos em impacto social. Essas são as minhas grandes paixões! E posso falar?

Unir todas as coisas que acreditamos, para mim, é a única forma de dar vazão ao que realmente somos

Fabio Barbosa, empresário e conselheiro de organizações como Itaú-Unibanco, Gávea Investimentos e Endeavor, trouxe a importante provocação sobre o dinheiro: “Na verdade, ninguém tem dinheiro, só o que está no seu bolso. O resto é da sociedade. Você é quem define a direção do dinheiro e passa para outra pessoa”.

Você deve estar pensando agora que isso tudo está distante da sua realidade, que você não é um multimilionário (e se por acaso você for: já pensou em investir o seu dinheiro em impacto social e ter retorno financeiro enquanto causa transformação social em seu país? Uma boa ideia, não?) e que não pode ajudar para que essa mudança aconteça. Felizmente, preciso informar que você está errado: você pode ajudar.

Outra provocação também faz pensar: você já sabe onde está sendo investido o seu dinheiro que está no banco? Já foi ao banco perguntar o que é feito com seu dinheiro enquanto está lá “parado”? Ninguém sabe, né?

Refletir sobre esse questionamento nos leva à conclusão de que temos, sim, um poder nas mãos. Podemos criar este mercado, expandir os conceitos e engajar mais pessoas nessa causa, com certeza. O que precisamos é começar.

É abrir espaço para que mais gente entenda sobre finanças sociais e negócios de impacto, que mais gente acredite na força de melhorar e junte-se, de verdade, a esta revolução. Usando as palavras do Daniel Izzo, fundador da Vox Capital: “precisamos de mais gente fazendo o que a gente faz”. É isso, o jeito mais rápido de chegar lá é indo todos juntos.

Termino ainda mais reflexiva: tudo que eu faço, todos os dias, impacta o meu entorno, as redes em que estou envolvida e o mundo, de forma geral. Como, então, fazer melhores escolhas?

Como colocar as minhas formas de energia a serviço de um mundo mais bacana? O meu maior aprendizado é de que cada detalhe conta

Tudo importa, por menor que pareça, pois o todo nada mais é que a união de todos os pedacinhos. Saio daqui na busca de ser ainda mais cuidadosa com as minhas escolhas, pois se quero fazer a diferença, é preciso começar agora! Tempo é muito mais que dinheiro.

Mariana Camardelli, é fundadora e diretora criativa da Altos Eventos.

*Conteúdo veiculado originalmente pelo Projeto Draft, aqui*